Câncer de Mama e Gestação

2019-09-11T11:08:54+00:009 de setembro de 2019|

O câncer de mama é o tipo de câncer que mais atinge as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Aproximadamente uma a cada mil gestações, que chegam ao fim, serão complicadas pelo câncer.

O atraso médio do diagnóstico a partir dos primeiros sintomas nas gestantes é de aproximadamente dois meses, o que pode ser um problema, já que o tratamento materno imediato é essencial, embora o cuidado com o bem-estar fetal também seja uma preocupação fundamental.

A estratégia terapêutica em pacientes com câncer de mama associado à gestação deve levar em consideração o tipo de tumor, o estágio da doença, a idade gestacional no momento do diagnóstico e o desejo da paciente e dos familiares. O tratamento proposto deve aproximar-se ao máximo do tratamento proposto para pacientes não grávidas com o mesmo estágio clínico e o intuito do mesmo deve ser o de não postergar o tratamento da paciente.

Por algum tempo, a mastectomia radical modificada foi considerada o tratamento padrão-ouro para o câncer de mama associado à gestação. O tratamento conservador das mamas consiste em setorectomia e radioterapia adjuvante.

A radioterapia pode ser postergada em quatro meses após a cirurgia sem prejuízo no risco de recorrência local. Se a quimioterapia está indicada após a setorectomia ou a mastectomia, esse número é ainda maior e pode-se aguardar até seis meses para o início do tratamento radioterápico sem prejuízo ao risco materno. Em contrapartida, existem evidências de que a quimioterapia deve ser iniciada no segundo/terceiro trimestre e parar a 4 a 6 semanas do nascimento.

A cirurgia das mamas pode ser seguramente realizada em qualquer trimestre da gestação com risco mínimo para o desenvolvimento fetal. Tanto a mastectomia radical modificada quanto a cirurgia conservadora das mamas (com dissecção axilar ou do linfonodo sentinela) podem ser realizadas.

A cirurgia com reconstrução das mamas, na maioria das vezes, pode ser adiada para o pós-parto. No período de amamentação, a cirurgia conservadora das mamas pode ser realizada. Porém, a cirurgia de reconstrução deve ser postergada com um intervalo mínimo de 3 a 6 meses após o fim da lactação.

O retardo do início da terapia hormonal não reduz sua eficácia e, quando indicada, deve ser iniciada após o nascimento.

De maneira geral, a amamentação deve ser evitada em mulheres em uso de quimioterapia e hormonioterapia.

A produção de leite da mama contralateral (não tratada) não é afetada após a cirurgia conservadora da mama e radioterapia. Embora muitas mulheres possam produzir leite a partir da mama tratada, a quantidade de leite é tipicamente reduzida, principalmente se o local da excisão estiver próximo ao complexo areolar ou seccionado por muitos ductos.

O mais importante é sempre seguir as orientações do seu médico, já que cada caso tem suas peculiaridades e deve ser tratado de maneira personalizada.

Fontes:

  1. FERREIRA, Rodrigo Guimarães; CÉSAR SPAUTZ, Cleverton. Câncer de mama associado à gestação. Femina, v. 42, n. 4, 2014.
  2. LITTON, Jennifer K. et al. Gestational breast cancer: Epidemiology and diagnosis. Up-to-date. Post, 2001.